segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

DÓLAR FECHA EM ALTO E VOLTA A VALE R$ 2,35

O dólar acelerou e fechou em alta, voltando a R$ 2,35 nesta segunda-feira (2), com os investidores ainda preocupados com o cenário fiscal brasileiro e de olho na possível redução dos estímulos monetários norte-americanos em breve.
O avanço ganhou fôlego após o setor industrial dos Estados Unidos expandir no ritmo mais rápido em dois anos e meio em novembro, sugerindo que o Federal Reserve, banco central norte-americano, pode dar início à redução do programa de compra de títulos mais cedo do que o esperado, enxugando a liquidez global.
A moeda americana subiu 0,75%, para R$ 2,355. O dólar não alcançava este nível desde setembro, quando fechou a R$ 2,3565. Veja cotação
No mês, a moeda acumula 5,4% e no ano, de 15,18%. Segundo dados da BM&F, o volume de negociação ficou em cerca de US$ 1,3 bilhão.
"Os aspectos fiscais (brasileiros) preocupam, a retirada dos estímulos dos Estados Unidos preocupam e a gente está chegando no fim do ano, quando a sazonalidade é de alta do dólar. Daqui para frente, não vai ter refresco", afirmou à Reuters o superintendente de câmbio da Intercam, Reginaldo Siaca.
O analista referiu-se ao relatório de empregos dos EUA, que será divulgado na sexta-feira, que investidores aguardam em busca de novos sinais sobre quando o Federal Reserve dará início à redução do seu programa de compra de ativos, no valor de US$ 85 bilhões mensais.
Além dos dados do setor industrial, os gastos com construção nos EUA subiram para o nível mais alto em quase quatro anos e meio em outubro, com uma recuperação em projetos de construção pública compensando queda nos gastos privados.
Superávit brasileiro
No cenário interno, o setor público brasileiro registrou superávit primário de R$ 6,188 bilhões em outubro, pior resultado para esses meses e muito aquém das expectativas, piorando ainda mais o cenário fiscal do país e aumentando as expectativas de piora na avaliação do país, algo que pode afugentar o investidor de fora.
Outras moedas de países com perfil semelhante ao real, como o dólar neozeolandês, também ganhavam fôlego ante a divida norte-americana nesta manhã, após a divulgação de dados econômicos mais fortes na China.
"Os dados melhores que saíram da China acabam, de uma forma ou de outra, afetando nosso mercado de câmbio", disse à Reuters o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.
O BC brasileiro também realizou nesta segunda-feira mais um leilão de swap cambial tradicional previsto em seu cronograma de atuações, após a autoridade monetária afirmar, por meio da assessoria de imprensa, que passará a anunciar as atuações do programa de intervenções diárias entre 18h30 e 19h por "motivos operacionais", e não mais após às 19h30.
Foram vendidos 5 mil contratos com vencimento em 5 de março e 5 mil contratos com vencimento em 2 de junho de 2014. O volume financeiro da operação foi de US$ 497,3 milhões.

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