segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Militar carioca está entre vítimas de incêndio de Santa Maria

Militar carioca está entre vítimas de incêndio em boate de Santa Maria

Tenente do Exército estava na cidade havia 15 dias
tenente
O incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que matou 236 pessoas, na madrugada de domingo (27), fez uma vítima do Estado do Rio de Janeiro. O tenente do Exército Leonardo Machado Lacerda, que havia sido transferido para a cidade havia 15 dias, tentou salvar pessoas, mas acabou morrendo.
A família do militar mora em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O irmão do jovem foi para o Rio Grande do Sul assim que soube que o tenente estava entre as vítimas. Ele trata da liberação e do transporte do corpo do tenente para o Rio de Janeiro, onde deve ser sepultado.
Segundo uma mensagem deixada no Facebook da vítima, Leonardo era formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no sul do Rio de Janeiro, em 2007. Ainda de acordo com a mensagem, ele servia no 1º Regimento de Carros de Combate, de Santa Maria.
A morte do jovem causou comoção na rede social. As mensagens deixadas no perfil da vítima indicam que ele era uma pessoa muito querida.

Show Pirotécnico
Um erro de procedimento dos donos da boate Kiss pode ter sido crucial para a tragédia de Santa Maria. Eles não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. Foi durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira que um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício — foi lançada e atingiu o forro do teto do estabelecimento. Essa foi a fonte do incêndio que provocou a morte de 231 pessoas no domingo (27).
O comandante do Corpo de Bombeiros de Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, disse ao R7 que o uso de fogos em um estabelecimento fechado deve ser sempre autorizado pela corporação.
— [O show pirotécnico] Foi uma coisa deliberada pela organização do evento. Com certeza, nesse ponto houve falha [da Kiss]. Mas temos que aguardar a perícia técnica para saber o que gerou, o que contribuiu para a tragédia.
Jovem que morreu na boate pediu socorro pelo Facebook

Mesmo que os donos da boate Kiss tivessem requisitado a permissão para o show pirotécnico, o Corpo de Bombeiros teria negado o pedido por causa dos riscos de incêndio no local.

— Jamais concordaríamos em liberar a utilização de fogos de artifício em um lugar confinado como aquele [boate Kiss]. Isso é, com certeza, fonte de fogo; tem calor suficiente para gerar um incêndio. Onde há material combustível, inflamável, como isolamento acústico, quando se gera uma fagulha, pode se gerar incêndio.

Boate preenchia requisitos de segurança

O comandante dos bombeiros do RS assegura que a casa noturna tinha condições de abrir ao público normalmente. O estabelecimento possuía plano de prevenção contra incêndios, com extintores e sinalização de emergência em ordem. Apesar de o alvará de funcionamento ter vencido no fim de 2012, a boate estava dentro do prazo de renovação do documento.

— O Corpo de Bombeiros inspecionou e notificou a boate. O fato de o alvará estar tramitando não era motivo para a interdição. Ela [casa noturna] só podia ser interditada se não preenchesse os requisitos mínimos de segurança. Mas eles foram cumpridos, já que ela tinha plano de prevenção e iluminação de emergência.

A existência de apenas uma saída de emergência na boate tampouco seria um problema. O coronel Guido Pedroso de Melo esclarece que a lei não determina uma quantidade específica de saídas de emergência, mas sim uma largura mínima — estabelecida de acordo com a capacidade da boate e o número de pessoas que poderão utilizá-la.

— A reclamação que se tem preliminarmente é que, no momento do incêndio, frequentava a boate um número bem maior que o determinado por lei. A legislação estadual estabelece que, a cada metro quadrado, podem estar no local duas pessoas. Naquele espaço de cerca de 600 metros quadrados, poderiam circular 1.200 pessoas. Quando chegamos lá para socorrer as pessoas, falava-se em mais de 1.500. Extrapolou o que a lei estabelece.

Segurança da boate diz que extintor não funcionou

Se há mais pessoas circulando que o limite máximo permitido, o plano de prevenção de incêndios está sendo desrespeitado. Isso porque, com mais gente no recinto, a largura da saída de emergência teria que ser maior para o esvaziamento rápido do local. Segundo o coronel Guido de Melo, a Polícia Civil gaúcha investiga se a capacidade da boate Kiss foi mesmo ultrapassada.

— Se tinha mesmo mais gente, isso contribuiu — e muito — para que as pessoas não conseguissem sair e acabassem asfixiadas dentro do prédio.

"Pior tragédia"

O comandante dos bombeiros do RS informa que os policiais gaúchos também apuram uma possível interrupção na retirada das pessoas. Um sobrevivente relatou, pelo Facebook, que seguranças dificultaram a saída das pessoas da boate Kiss.

No total, 80 bombeiros trabalharam desde o início da madrugada de domingo (27), quando o fogo começou na casa noturna. Os esforços estavam concentrados em debelar as chamas, resgatar as vítimas e transportar pessoas e equipamentos para hospitais de Santa Maria e de Porto Alegre. Em seus 35 anos de corporação, o coronel Guido Pedroso de Melo revelou ao R7 que nunca teve que enfrentar tanto sofrimento.

— Foi a pior tragédia que eu presenciei na minha carreira profissional.

Outro lado: boate Kiss diz que equipe estava "treinada" para qualquer situação


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