Um temporal que começou na noite de terça-feira parou o Rio de Janeiro e a região da Baixada Fluminense. Um homem morreu e outro está desaparecido. Mais de duas mil famílias tiveram que sair de casa.
Para onde se olhava, havia água. Depois de mais de dez horas de chuva, vários rios transbordaram invadindo casas, ruas e pistas de importantes vias expressas.
A Avenida Brasil parecia um rio. A interdição nas pistas provocou quilômetros de engarrafamentos.
Um grupo saqueou um caminhão de frango que estava parado no meio do trânsito. a polícia procurava suspeitos de arrastão e vasculhava carros.
Com as próprias mãos, moradores tentavam limpar os bueiros entupidos para ajudar a escoar a água. Situação difícil também em uma avenida recém inaugurada, na Zona Portuária do Rio. A Via Dutra, principal ligação entre o Rio e São Paulo, ficou interditada por causa dos bolsões d’água.
Perto dali, vários caminhões ficaram quase submersos, e funcionários de um depósito buscaram abrigo no telhado. Um homem se arriscava nadando para chegar em casa. Moradores, ilhados, acenavam das janelas.
Sirenes de alerta foram acionadas em 49 comunidades do Rio. Um sinal de que os moradores deveriam deixar suas casas. Três pessoas ficaram feridas e deslizamentos nas encostas. Com menos ônibus circulando, os pontos ficaram lotados.
Dois ramais de trens ficaram sem circular porque a água chegou aos trilhos. A grade a e mureta entre a área dos trilhos e a calçada caíram com a chuva.
Em um trecho da Via Dutra, foram os motoristas que destruíram a divisória entre as duas pistas para fugir do engarrafamento. Cinco estações tiveram os trilhos alagados e passaram o dia fechadas.
A chuva também atingiu várias cidades da Baixada Fluminense. Em Mesquita, moradores, revoltados por terem perdido as casas na enchente usaram fogo para interditar a rodovia. Nova Iguaçu foi a cidade mais castigada e decretou situação de calamidade pública.
A chuva começou a cair ainda durante a madrugada, quando foi preciso usar um barco para retirar passageiros de um ônibus. Um pedreiro, de 50 anos, caiu no rio e desapareceu. Os vizinhos ajudavam nas buscas. “Já deitei no chão, já fiz tudo, mas não consigo nada”, conta um homem.
Num dos bairros mais atingidos, seu Flávio ainda se recuperava da chuva da semana passada. “A gente trabalha muito para ter as coisas corretas e perder assim é complicado”, lamenta.
Também a Prefeitura de Japeri, na Baixada, decretou calamidade pública. O Governo Federalofereceu ajuda ao Governo do Rio e à prefeitura da capital do estado. E vai enviar cestas básicas, água potável e colchões.
Nenhum comentário:
Postar um comentário