O mundo está literalmente chegando à África do Sul e quase 100 líderes, entre os principais do planeta, são esperados para a cerimônia oficial de adeus a Nelson Mandela, indicou Pretoria nesta segunda-feira (9).
"Noventa e um chefes de Estado e de Governo em exercício, 10 ex-líderes, 86 chefes de delegação e 75 personalidades confirmaram presença", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Clayson Monyela.
O ministério não forneceu informações precisas, mas parte desses dignitários deve chegar a partir desta segunda, para prestar homenagem a Nelson Mandela, falecido quinta-feira (5) os 95 anos.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve discursar em um dos atos em frente à Fundação Nelson Mandela, em Joanesburgo. Ao mesmo tempo, as duas câmaras do Parlamento sul-africano vão realizar uma sessão comum dedicada à memória do primeiro presidente negro (1994-99) do país.
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A maioria dos dignitários pretende estar presente à homenagem oficial de terça-feira em Johannesburgo, onde alguns vão discursar a partir das 11h (7h no horário de Brasília).
"Thank you Madiba" e "Hamba Kahle Madiba" (obrigado em inglês e zulu), clamavam as imensas bandeiras exibidas na sede do Parlamento. Os vários partidos políticos irão falar para recordar a mensagem de unidade trazida pelo ex-ativista anti-apartheid, que, uma vez no poder, não deixou de estender a mão aos seus antigos opressores.
"Thank you Madiba" e "Hamba Kahle Madiba" (obrigado em inglês e zulu), clamavam as imensas bandeiras exibidas na sede do Parlamento. Os vários partidos políticos irão falar para recordar a mensagem de unidade trazida pelo ex-ativista anti-apartheid, que, uma vez no poder, não deixou de estender a mão aos seus antigos opressores.
Esta atitude magnânima, entre outras coisas, explica a admiração que Mandela desperta em todo o mundo. "Mandela é a versão sul-africana de Mahatma Gandhi", declarou domingo (8) à noite Laloo Isu Chiba, um dos seus antigos companheiros de prisão na ilha Robben Island.
Os chefes de Estado dos Estados Unidos, Barack Obama, do Brasil, Dilma Rousseff, e da França, François Hollande, assim como o premiê britânico, David Cameron, irão prestar suas últimas homenagens a ele. Em um espírito conciliador, alguns serão acompanhados pelos seus antecessores, mesmo sendo de diferentes quadrantes políticos. Os ex-presidentes George W. Bush e Nicolas Sarkozy vão acompanhar as delegações de seus países.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, viajará na segunda-feira (9) para a África do Sul acompanhada dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Eles também irão acompanhar as homenagens.
Homenagens
A chanceler alemã Angela Merkel não poderá viajar a Johannesburgo, mas o presidente Joachim Gauck estará presente. O Dalai Lama, a quem foi negado por duas vezes o visto para a África do Sul nos últimos anos, informou que não iria participar desses eventos.
A chanceler alemã Angela Merkel não poderá viajar a Johannesburgo, mas o presidente Joachim Gauck estará presente. O Dalai Lama, a quem foi negado por duas vezes o visto para a África do Sul nos últimos anos, informou que não iria participar desses eventos.
Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu renunciar a sua participação no funeral, citando o custo de uma viagem à África do Sul.
Na cerimônia, que terá início na terça-feira (10), o corpo de Mandela ficará exposto por três dias na sede do governo em Pretória, com procissões programadas todas as manhãs nas ruas da capital. No sábado (14), será transferido para a pequena aldeia de Qunu, no sul do país, a terra dos ancestrais de Mandela, e local escolhido pelo ex-presidente para ser enterrado.
A África do Sul acelerou nesta segunda (9) os preparativos para esta semana de luto nacional, que começou domingo com um dia de 'orações e reflexões'.
De Soweto à Cidade do Cabo, de Londres a Belém, fiéis de todas as religiões cantaram e rezaram em seu nome. Alguns manifestaram grande emoção, mas a maioria ressaltou que a hora de seu descanso havia chegado.
Os sul-africanos, que se preparam há meses para o anúncio da morte iminente de seu 'Madiba', reagiram de forma sóbria, sem efusões espetaculares. O tom é de gratidão pela obra de Mandela, o que impediu um pouco a tristeza.
"Tata Madiba lutou por nós, agora chegou a sua vez de descansar", declarou Zanele Sibiya, em frente a grande igreja católica Regina Mundi de Soweto, um dos locais simbólicos da resistência ao apartheid.
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