terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ENTENDA OS PROTESTO NA TAILÂNDIA

Tailândia protestos Entenda (Foto: Manish Swarup/AP e Christophe Archambault/AFP)Capital tailandesa é palco de confrontos intensos (Foto: Manish Swarup/AP e Christophe Archambault/AFP)
Os protestos na Tailândia são organizados por opositores que exigem a renúncia da primeira-ministra Yingluck Shinawatra. Ela teria usado a maioria governista no parlamento para aprovar leis com objetivo de anistiar e evitar a prisão do irmão, Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro do país, condenado por corrupção e deposto em 2006 por um golpe de Estado. Segundo os adversários, a chefe de governo seria apenas um "fantoche" de Thaksin, que continua no centro da política tailandesa, apesar do exílio.
MAPA Tailândia (Foto: Editoria de Arte/G1)
O líder da oposição é Suthep Thaugsuban, ex-vice-primeiro-ministro no governo do Partido Democrata (2008-2011). Grande parte dos opositores é de classe média e alta urbana e de setores próximos do Exército e da monarquia. Thaksin e a sua irmã, do partido Puea Tha, contam com grande apoio entre as classes baixas e nas áreas rurais do nordeste do país.
Yingluck Shinawatra rejeitou trocar o seu governo por um "conselho popular" que não saiu de eleições, exigência dos opositores, alegando que a medida é "inconstitucional" e "inaceitável". "Estou disposta a fazer todo o possível para que o povo seja feliz. Mas, como primeira-ministra, o que faço deve estar de acordo à Constituição", disse Yingluck.
As manifestações são as mais importantes desde 2010, quando cerca de 100 mil partidários de Thaksin, conhecidos como "camisas vermelhas", ocuparam o centro de Bangcoc durante dois meses para pedir a saída do governo da época, dirigido pelo democrata Abhisit Vejajiva, em crise que deixou 90 mortos. A Tailândia já passou por 18 golpes de Estado ou tentativas de golpe desde o estabelecimento da monarquia constitucional, em 1932.
Prédios públicos ocupados
As manifestações de rua são regulares há cerca de um mês e estão mais intensas na última semana. Dezenas de prédios oficiais foram ocupados por opositores, entre eles a Casa do Governo, o Ministério das Finanças, a sede do Comando das Forças Terrestres do Exército, a sede da Polícia Metropolitana, além de tribunais, escritórios do governo e redes de TV.
Tensão cresce, e governo evita confrontos
No sábado (30), ao menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em confrontos. No domingo (1) e na segunda-feira (2), os policiais tentaram dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo, canhões de jatos d'água e disparos de bala de borracha. Os opositores responderam com pedras, garrafas e bombas caseiras, ao mesmo tempo em que tentavam remover as barricadas de cimento que cercavam a sede do governo.
Na terça (3), no entanto, após dois dias de confrontos nas ruas de Bangcoc, os manifestantes conseguiram entrar no local sem resistência. A tática do governo é evitar confrontos diante de uma oposição que multiplica sua atuação.
O chefe da autoridade metropolitana, general Kamronvit Thoopkrachang, disse que as tropas não utilizariam mais gás lacrimogêneo e permitiriam que os manifestantes entrassem na sede das autoridades e lá permanecessem o tempo que quisessem, segundo informação do jornal "Bangcoc Post". "Os escritórios pertencem ao povo e foram construídos com o dinheiro de seus impostos", declarou.
O líder dos protestos contra o governo da Tailândia, Suthep Thaugsuba, disse na terça-feira (3) que vai continuar a luta para derrubar a primeira-ministra Yingluck Shinawatra, apesar da decisão anunciada pelo governo de não enfrentar mais os manifestantes.
Primeira-ministra pede diálogo
Yingluck Shinawatra afirma que o diálogo é a saída para superar a crise política. "Temos que nos sentar e conversar. As reivindicações dos manifestantes devem ser atendidas mediante o diálogo. Estamos dispostos a cooperar em qualquer coisa que seja boa para a maioria", declarou no dia 27 de novembro.
Moção de censura é derrubada
No dia 28 de novembro, uma moção de censura contra Yingluck Shinawatra foi derrubada no Parlamento tailandês. No total, 297 deputados votaram contra, 134 foram a favor, enquanto 2 optaram pela abstenção e 5 não participaram. "A primeira-ministra Yingluck ganhou o voto de confiança", anunciou o presidente do Parlamento, Somsak Kiatsuranont.

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