Balas perdidas causam mortes em série no Rio; especialistas culpam guerra entra traficantes
Moradores do Grande Méier, na zona norte, estão assustados com a violência
A reportagem do Domingo Espetacular conversou com especialistas em segurança pública para entender os motivos da onda de violência. De acordo com Vinícius Cavalcante, os crimes estão ligados à guerra entre traficantes.
— Você tem o aumento da quantidade de criminosos nessas áreas, que recebeu reforço de criminosos de outras áreas que foram pacificadas. Você tem a questão de que os criminosos não têm escrúpulos na utilização da arma de fogo. Essas armas de fogo, que são armas clandestinas e algumas delas de grande capacidade, como fuzis, submetralhadoras etc. São
disparadas a esmo, são disparadas sem nenhum critério.
Há 40 comunidades no Grande Méier, a maioria dominada por traficantes. Cerca de 300 mil pessoas vivem na região e estão assustadas com os casos de violência.
Lenin Pires, professor de segurança pública da Universidade Federal Fluminense, fez coro à teoria de que a ocupação policial nas principais comunidades da zona sul provocou uma transferência de traficantes para a zona norte.
— Há uma reconfiguração territorial no mercado de drogas e de práticas ilícitas, que fazem com que haja uma disputa de territórios em diferentes regiões da cidade como, por exemplo, acontece na região norte e particularmente na região do grande Méier.
A primeira morte ocorreu no dia 21 de dezembro, quando Flávia Costa da Silva foi atingida em um ônibus, a caminho do trabalho. A bala perfurou a cabeça e, após três dias internada, a moça não resistiu. Já a pequena Adrielly, de 10 anos, foi baleada dentro de casa na véspera de Natal. O enterro ocorreu neste sábado (5).
A poucas quadras de onde Adrielly foi baleada, Aline Cistina Ramos foi alvejada nas costas, dentro de um taxi, e também morreu. Mais dois casos de bala perdida foram registrados no Réveillon.
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