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sábado, 17 de novembro de 2012
COMUNIDADES DO RJ:
Para definir a quantidade de policiais empregada em cada área do Estado, seja cidade ou bairro, as autoridades de segurança pública levam em consideração, principalmente, os índices de criminalidade de cada região. Levantamento feito pelo R7 mostra, entretanto, que favelas que já receberam (Unidades de Polícia Pacificadora), mas onde o tráfico armado ainda resiste, não são as mais vigiadas entre as 28 UPPs já implantadas. A reportagem fez o cruzamento do número de policiais de cada UPP com a população da comunidade (veja infografia abaixo).
O principal exemplo é a UPP Coroa, Fallet e Fogueteiro, onde confrontos acontecem com frequência. Em junho do ano passado, três PMs foram atacados a tiros e granadas. Um deles teve uma perna amputada. Três meses depois, o comandante e o subcomandante da unidade foram afastados por suspeita de corrupção. Em junho passado, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou aumento de efetivo em 40 policiais. Ainda assim, a unidade teve redução de efetivo. Inaugurada em fevereiro daquele ano com 206 PMs, conta hoje com 193 policiais, 13 a menos.
Proporcionalmente à população das três comunidades, a unidade é a 16ª com maior efetivo, com média de um PM para cada 46 moradores, já que, no local, vivem pouco mais de 9.000 pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na Nova Brasília, Complexo do Alemão, onde a soldado Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, foi morta durante um ataque à sede da UPP, em julho, a média é de um PM para cada grupo de 84 moradores, o que a deixa em 22º lugar na lista das UPPs mais policiadas. Na Mangueira, onde uma dupla de PMs foi cercada por um grupo de dez traficantes e atacada a tiros, no mês passado, a média é de 53 moradores para cada PM, o que a deixa em 17º lugar.
Para o antropólogo e ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais), Paulo Storani, que também é professor do Instituto de Ciências Policiais da Universidade Cândido Mendes, maior policiamento poderia reduzir crimes.
— O efetivo é muito importante. Afinal, onde não há policiamento, a incidência de crimes aumenta. Mas a carência de efetivo da PM acontece também no asfalto, onde o policiamento é reforçado quando a violência aumenta em determinado lugar. Isso não acontece com as UPPs.
Ele também defende investimentos na capacitação do policial e em equipamentos e diz que o "trabalho de inteligência, que precisa ser feito pela Polícia Civil, que está deixando a desejar".
Segundo o coronel Paulo César Amêndola, um dos fundadores do Bope, a PM dá mais atenção às estatísticas criminais da área a ser pacificada do que à população daquela região.
— São avaliados os crimes ocorridos antes de a polícia entrar nessas comunidades, assim como a extensão territorial, por exemplo. Mas, se os crimes continuam acontecendo e não há uma mudança, está havendo alguma falha. Para a redução de efetivo na UPP do Fallet, eu não vejo explicação lógica.
Os extremos entre Cidade de Deus e morros do Adeus e da Baiana
Uma das comunidades pacificadas de território mais extenso, a Cidade de Deus tem uma proporção de 137 moradores para cada PM. Com praticamente uma apreensão de drogas registrada por dia, os 343 PMs fazem a segurança de 47 mil moradores.
Na ponta da lista, a UPP com maior efetivo por habitante é a das comunidades Adeus e Baiana, vizinhas do Complexo do Alemão (zona norte). Com 245 PMs para dar segurança a 4.354 habitantes, tem uma média de um PM para cada grupo de 17 habitantes.
No morro dos Macacos, em Vila Isabel, no episódio de violência mais recente, um comerciante e um amigo foram mortos a tiros, em setembro, simplesmente por manterem contato com PMs da UPP. Na comunidade, onde vivem 19 mil pessoas, trabalham 221 policiais militares. A média é de 86 moradores para cada PM. Trata-se da 24ª comunidade mais vigiada.
Logo abaixo, está a UPP Rocinha que conta com o maior efetivo em números absolutos: 700 policiais. A dificuldade é que, além de extensa, tem população de 70 mil pessoas. Na Rocinha, um PM da UPP foi morto a tiros, em setembro, e dez pessoas foram mortas durante a ocupação policial que antecedeu a UPP em disputa entre facções rivais.
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