Posto da PM inaugurado na Chatuba pode se estender para outras favelas da baixada, diz comandante
Companhia Integrada conta com 136 PMs para patrulhar região onde aconteceu chacina.
Policiais que moram na região irão trabalhar na nova unidade
— É um projeto piloto, que pode vir a ser implantado em outras unidades, na baixada, como também na zona oeste do Rio. A companhia integrada é como se fosse o aprimoramento de uma UPP [Unidade de Polícia Pacificadora]. O diferencial é que vamos trabalhar com militares residentes na área. Com isso, teremos mais facilidade de saber dos problemas e lidar com a população.
Conde vai chefiar 136 policiais militares que vão atuar no patrulhamento da comunidade, com o apoio de 16 viaturas.
— Aqui nós tínhamos quatro bocas de fumo. Todas foram fechadas com a presença da PM. Queremos dar liberdade às pessoas que viviam sob o domínio do tráfico.
Na região, no início do mês, aconteceu a chacina de seis jovens, além da morte de outros três homens cujos corpos foram encontrados na mesma área. Ao menos sete suspeitos de envolvimentos nos assassinatos já foram presos, entre eles, dois menores de idade.
O evento desta sexta contou com as presenças do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, do comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, e da chefe de Polícia Civil, Martha Rocha.
A chacina
Os seis jovens, que eram moradores do município de Nilópolis, desapareceram na tarde do último dia 8. Eles deixaram a comunidade onde moravam para assistir a um campeonato de pipas e depois teriam ido para uma cachoeira que fica dentro do Parque Natural de Gericinó, em Mesquita. Os corpos dos meninos foram encontrados na manhã do dia 10, às margens da rodovia Presidente Dutra. A polícia diz acreditar que os meninos foram mortos dentro da favela da Chatuba.
Tortura e morte
Os laudos cadavéricos feitos pelo IML (Instituto Médico Legal) nos corpos dos seis jovens confirmam que eles foram torturados antes de serem mortos pelo “tribunal do tráfico”.
De acordo com Sérgio Henriques, diretor de Polícia Técnica da Polícia Civil, todos os rapazes foram encontrados pelados e foram agredidos com o cabo de algum objeto agrícola, como um ancinho, por exemplo. Nos corpos também havia marcas de facadas, principalmente no pescoço.
— É uma dinâmica comum em “tribunais do tráfico”. Mandam tirar a roupa, torturam e depois matam. Eles tinham marcas de que foram arrastados, as mãos estavam amarradas e tinham mordaças na boca, mas tudo isso feito após serem mortos.
Cada um dos jovens levou de três a quatro tiros de pistola calibre 380 e 9 mm, a maior parte na cabeça e nenhum deles teve nenhuma amputação de membros.
Parque estadual
A Secretaria de Estado do Ambiente informou que uma área de 3.700 hectares da APA (Área de Proteção Ambiental) de Gericinó, onde ocorreu a chacina, será transformada em parque estadual.
De acordo com a secretaria, o local irá contar com uma unidade de policiamento e deve ser entregue à população até março de 2013. A cachoeira, que seria o destino dos seis jovens, estará incluída nas dependências do parque.
A ideia da criação do parque surgiu quando a polícia descobriu na região mais de 40 carcaças de carros roubados. A partir daí, a secretaria, juntamente como o governo do Estado e com a Secretaria de Segurança, decidiram proteger o local.
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