quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

79 mortos

jogador brasileiro falar sobre a tragédia mo egito.


O atacante Fabio Junior foi testemunha de uma das maiores tragédias da história do futebol. Na quarta-feira (1º), ele marcou o único gol de sua equipe, o Al Ahly, sobre o Al Masry, na derrota de virada por 3 a 1. Após o terceiro gol, porém, a vida de todos os presentes no estádio da cidade de Port Said, mudou. A torcida local invadiu o gramado e iniciou uma das maiores confusões já vistas em um gramado.

Assim que viu os primeiros torcedores pularem o alambrado, Fabio Junior fugiu. Buscou refúgio no vestiário e contou, em entrevista à Rádio Bandeirantes, que lá testemunhou cenas dignas de filmes de terror. Apesar do susto, o único jogador agredido foi o goleiro do Al Ahly, que levou uma pedrada no rosto.
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- Eu fiz o primeiro gol e logo depois acabou o primeiro tempo. Quando eles empataram e viraram a torcida invadiu pela primeira vez. No terceiro gol entrou todo mundo e começou aquele tumulto. Acabou o jogo na hora. Eu corri quando vi que aconteceria aquilo, porque os torcedores estavam com paus e facas na mão. Nem no vestiário estávamos seguros porque quase não tinha segurança no estádio. No vestiário eu vi torcedores com pernas quebradas, olho pra fora, coisas horríveis. Nunca vi nada igual.
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Relembre as tragédias no futebol
Há sete meses no Egito, ele diz que todos os times do país estão contra o Al Ahly, que tem dominado o futebol egípcio nos últimos anos. Na opinião do brasileiro, esse foi um fato fundamental para que a tragédia acontecesse. O jogador afirma até que a famosa mala-preta teria sido o motivo para que a rivalidade fosse tão acirrada na partida, que nem era entre dois grandes rivais.
- Com certeza eu fico desconfiado. Aqui é tudo contra o Al Ahly e tem a ver com isso. Aqui também tem aquela mala preta que tem no Brasil. Acho que teve isso contra a gente porque estamos em primeiro. Teve algum dinheiro porque esse time [Al Masry] nem é o principal rival. Acho que tem a ver com dinheiro também.
Assustado com o momento político vivido pelo país, já que o presidente, Hosni Mubarak, está preso há um ano, Fabio Junior diz que a perseguição com seu time pode tirá-lo do Egito.
- Se continuar assim, eu pretendo ir embora. Não sei se vou para o Brasil, pq tenho mais dois anos de contrato aqui. Meu empresário vai ver isso pra mim. Eles fizeram uma campanha contra a gente porque somos campeões em todos os torneios. Então estão fazendo de tudo para não ganharmos. Por isso deu tudo aquilo. Mas eu não pensava que iria acontecer uma tragédia tão grande. Nem dormi direito ainda porque estou na adrenalina daquela tragédia.

Jogadores do Al-Ahly correm para fugir da fúria dos torcedores do Al-Masry. Foto: AFP Jogadores do Al-Ahly correm para fugir da fúria dos torcedores do Al-Masry
Foto: AFP
De acordo com a rede americana CNN, o número de mortos após a briga entre torcidas do Al-Masry e o Al-Ahly nesta quarta-feira, no Egito, subiu para 79 pessoas, segundo autoridades locais.
Com a tragédia sob investigação do Conselho Supremo das Forças Armadas, que governa o país após a saída do ex-presidente Hosni Mubarak em 2011, centenas de pessoas foram até a Praça Tahrir, no Cairo, condenando a Junta Militar pelo episódio. Muito deles usavam camisas do Al-Ahly, que teve a grande maioria das vítimas em Port Said, local da partida, válida pelo Campeonato Egípcio.
No confronto que se seguiu, torcedores do Al-Masry invadiram o campo e tentaram acuar jogadores e torcedores em seu estádio. Segundo Ahmed Saeed, funcionário do gabinete do governador de Port Said, muitos dos mortos teriam caído das arquibancadas do próprio estádio.
Porém, torcedores do Al-Ahly relatam que a polícia local deixou a proteção que separava as duas torcidas vulnerável propositalmente, permitindo a invasão da torcida local, em maior número, munida de pedras, garrafas, facas, espadas e armas de fogo contra os visitantes e os atletas dentro de campo, que tiveram que se abrigar nos vestiários. Além disso, os portões de saída do local não foram abertos pelas autoridades, o que contribuiu o aumento do número de vítimas.
Porém, segundo o Ministro do Interior do Egito, Mustapha Marwan, a autoria da incitação à violência foi causada por grupos políticos organizados, garantindo que os policiais tentaram contê-los e prendendo 47 suspeitos logo pouco depois do tumulto consumado

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